o agora é todos os tempos

2025

o agora é todos os tempos

Quando o tempo é personagem, começo e fim se encontram, não delimitam fronteiras. Estão em todas as páginas e nos contam que não existe depois. O agora é matéria narrada por todos os tempos. O último e o primeiro instante ocupam o mesmo espaço. Nestas imagens, nada é transitório. No mesmo minuto em que a artista se debruça sobre o papel para escrever as ruas, a menina se levanta para pedir pão com leite aos avós. E na beira do branco, o vazio se preenche. É do chão da página que se alça voo ao coletivo que somos, ao plural do existir. As imagens também chegam acompanhadas, se apresentam com o porvir de todas as outras e não se despedem. Na página ao lado, seus resquícios marcam o verso da existência. O tempo é prisma do espaço e transborda os limites, redimensiona a presença. Tudo permanece em nós.

Juliana Monteiro